Meus irmãos, que aproveita se alguém
disser que tem fé e não tiver as obras? Porventura, a fé pode salvá-lo? (Tg
2.14-26 ).
A recomendação das Palavras que Jesus dirige aos
escribas e fariseus (Mt 23.3-5) e a seus discípulos (Mt 5.16) serve a Tiago
para resolver o problema dos que acreditam serem os campeões da fé, mas não dão
testemunho da fé com as obras.
Empregando o recurso literário da diatribe, que
consiste na presença de um interlocutor imaginário, o texto começa com uma
pergunta retórica que introduz o tema da fé e das obras.
A misericórdia (Tg 2.13) se concretiza por meio das
obras; mas nesse caso não se trata das “obras da lei”, em linha com a teologia
paulina (Rm 3.20,27-28; Gl 2.16; 3.2,5,10), e sim de obras de misericórdia com
os mais pobres e necessitados.
Embora Tiago pareça preocupar-se com certo abuso na
interpretação paulina da justificação pela fé (Rm 3.28; Gl 2.16), sua
preocupação maior continua sendo a realidade de muitos cristãos que se
vangloriam de ser homens e mulheres de fé, mas de uma fé vazia, estéril e
passiva que não gera compromissos de misericórdia.
Recorrendo novamente ao gênero literário da
diatribe Th 2.18, Tiago quer deixar claro que a fé e as obras devem caminhar
juntas, e que nenhuma está acima da outra.
O fato de que se ressalte mais as obras não se
devem, a que sejam mais importantes que a fé, mas sim à conjuntura do momento,
caracterizada por comunidades adormecidas sobre seus triunfos.
Isso é ilustrado com Abraão e Raab, dois
personagens do AT que demonstraram sua fé com obras concretas.
Para Tiago a fé simboliza o corpo, e as obras, o
Espirito que dá vida. Uma fé sem obras é um corpo sem vida.
Conheçamos
e prossigamos em conhecer o SENHOR: como a alva, será a sua saída; e ele a nós
virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra. Oseias 6.3
Bispo Ribeiro Paiva
Nenhum comentário:
Postar um comentário