Vós, mulheres, sujeitai-vos a vosso marido, como ao Senhor; porque o marido é a cabeça da mulher, como
também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo.
De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também
as mulheres sejam em tudo sujeitas a seu marido. Vós, maridos, amai vossa mulher, como também
Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, (Ef 5.22-33).
Paulo esteve exortando à unidade a harmonia que deve existir na
comunidade cristã em geral. Agora concentra sua atenção no núcleo familiar, a
Igreja domestica formada pelo casal, os filhos e, naqueles tempos também os
escravos. Dirige-se primeiro aos esposos e concretamente à esposa, com uma
exortação:
As mulheres respeitem seus maridos. (Ef 5.22) e depois acrescenta: em
tudo (Ef 5.24). em relação ao marido, repete três vezes que deve amar sua
mulher (v 25), amá-la como seu próprio corpo (v. 28) e quem ama sua mulher deve
cuidar dela e alimentá-la (v. 29).
Essas expressões do apóstolo talvez possam causar perplexidade e irritação no
leitor – e especialmente na leitura de hoje – que somente se contente com uma
leitura superficial do texto.
Como se as exortações não deixassem ambos os esposos em pé de
igualdade. Ao homem se pede “amor” e a mulher “submissão”, palavra que repugna
à nossa sensibilidade e, se tratar da submissão da mulher, repugna mais ainda.
O que dizer de tudo isso? Em primeiro lugar, Paulo não está
transformando em “Palavra de Deus” os condicionamentos culturais de seu tempo,
que eram também seus.
Nada mais distante do que aqui ele procura dizer aos efésios. Se o
apóstolo tivesse vivido hoje certamente teria sido um entusiasta defensor dos
direitos da mulher e certamente não teria usado o termo “submeter-se”. Em
segundo lugar, e isso é o que importa o apóstolo não está dando “conselhos de
convivência matrimonial”.
O apóstolo está falando ao longo de toda a carta do mistério da
salvação e o expressou com uma de suas imagens favoritas: Cristo e os crentes
unidos em um só corpo que é a igreja, da qual Cristo mesmo é a cabeça.
Pois bem, este “mistério de amor” entre Cristo e a Igreja o apóstolo o
vê simbolizado na união matrimonial do esposo e da esposa. Mas atenção: o amor
entre Cristo e a Igreja não está refletindo a experiência de amor conjugal, e
sim, ao invés, é essa união conjugal que é símbolo e presença sacramental do
amor entre Cristo e sua Igreja.
Contemplando o marido e a mulher unidos em uma só carne (v. 31), Paulo exclama
com entusiasmo que esse símbolo é magnifico, e com sua autoridade de apóstolo
afirma:
“Este mistério é grande, quero dizer, com referencia a Cristo e à
Igreja” (V.32). Esta é a “Palavra de Deus” que Paulo nos transmite. Uma palavra
revolucionária que desmonta, supera e condena todo modelo cultural humano de
matrimônio que estabeleça ou sancione a desigualdade entre os cônjuges, começando
pelo modelo cultural do mesmo Paulo.
A Palavra de Deus – da qual o apóstolo é portador – vai mais além do
que ele mesmo podia imaginar. A tradição bíblica do AT já havia preparado
generosamente esse símbolo com a imagem de Deus como esposo e a comunidade como
esposa, com expressões tão audazes como a de Is 62.5:
“Como a recém-casada faz a alegria de seu marido, tu farás a alegria do
teu Deus”. Os últimos capítulos do Apocalipse empregam esse mesmo símbolo para
encerrar o texto da bíblia, que termina com o chamado insistente da esposa ao
esposo: “Vem, Senhor Jesus” (Ap 22.20).
Essa imagem bíblica desdobra toda força expressiva na relação de amor
indissolúvel de Cristo para com a Igreja, cujo símbolo é presença é o
sacramento cristão do matrimônio.
Conheçamos e prossigamos em conhecer o SENHOR: como a alva, será a sua
saída; e ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra.
Oseias 6.3
Bispo
Ribeiro Paiva
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