Para muitos de nós, a de estar do lado de fora
do círculo de amigos de Jó já representa o mais perto que queremos estar do que
ele passou. Ficamos assombrados com uma pergunta que é simples e, ao mesmo
tempo, nos é familiar: como este homem continuou seguindo em frente quando
parecia não haver razão para isso?
Esperança
de vida ou de morte
Pouco de nós experimentam a abundância de Jó
antes do teste de satanás ou de suas enormes perdas. Precisamos basear nosso
pensamento numa escala menor. Como suportamos as dificuldades do dia-a-dia? De que
modo às tragédias que enfrentamos afetam a nossa confiança em Deus?
Quando a vida fica difícil, o que fazemos? Felizmente,
não precisamos ver as perdas tão perto quanto Jó para aprender com ele uma
lição sem preço. Quando tudo o que Jó possuía se perdeu, ele manteve sua
esperança, pois ela não dependia de suas posses, de seus amigos ou de sua
família. Ao invés disso, ele confiava em Deus. Ele é o único lugar em que nossa
fé pode descansar segura.
Para Jó, a esperança não dependia de ter suas
posses ou sua família de volta. Ele não barganha com Deus, dizendo: “vou
confiar em ti se tu fizeres minha vida melhorar”. A vida de Jó é uma clara
ilustração da verdade que Paulo expressou: coisa alguma “nos poderá separar do
amor de Deus, que está em cristo Jesus, nosso SENHOR!” (Rm 8.39).
No meio das circunstâncias adversas, Jó exclama
que ainda sabe duas coisas: “eu sei que o meu Redentor vive” (Jó 19.25) e “verei
a Deus” (Jó 19.26). Jó não se relacionou com Deus como se fosse uma ideia ou
alguma força vital etérea. Deus era o Redentor vivo.
Uma
visão da ressurreição
Convencido de que Deus vive, Jó anseia vê-lo. As
duas expressões de Jó 19.26, “consumida a minha pele” e “em minha carne”, se
combinam para expressar a consciência de Jó de que as fundações da existência
estão no Deus vivo. Apesar de vistas como que através de um denso nevoeiro,
estas fundações dão sentido à trágica contradição da vida atual.
Armados com este conhecimento, temos uma ideia
da importância do ensino bíblico sobre a ressurreição, tanto a de Cristo quanto
a nossa. Por causa da gravidade do sofrimento de Jó, hesitamos em nos colocar
em seu lugar.
Mas, na verdade, já estamos lá, do modo que
mais importa. Fazemos parte dessa temporária vida física do mesmo modo que ele.
Quer nos assemelhemos muito ou pouco com Jó, precisamos do mesmo Redentor que
ele conhecia.
Quando conhecemos o Salvador, nossa visão sobre
a vida e a morte muda. Nosso Redentor vive em nós agora. Embora não possamos
ver muita coisa além da morte, sabemos que Jesus está lá. Seja como for, é o suficiente.
Conheçamos e prossigamos em conhecer o SENHOR: como a alva, será a sua
saída; e ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra.
Oseias 6.3
Bispo
Ribeiro Paiva
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