A Feitura de um Adorador
Êxodo 14 descreve um incrível momento na história
de Israel. Os israelitas tinham acabado de sair do Egito sob a direção
sobrenatural de Deus; agora estavam sendo ferozmente perseguidos pelo exército
do faraó. Eles tinham sido levados a um vale cercado em ambos os lados por
montanhas íngremes, e à frente havia um mar bloqueando o caminho. Eles ainda
não sabiam, mas estavam prestes a vivenciar a noite mais negra e tempestuosa de
suas almas. Eles enfrentariam uma noite cheia de agonia, pânico e desespero que
testaria até o extremo os seus limites.
Tenho certeza que você conhece
esse capítulo da história de Israel. A maioria dos cristãos sabe o quê
aconteceu no mar Vermelho, e como Deus livrou milagrosamente o povo escolhido.
Mas você pode se perguntar o que esse incidente tem a ver com o título da
mensagem, "A Feitura de um Adorador".
Eu creio que essa passagem tem
tudo a ver com como Deus transforma o Seu povo em adoradores. Na verdade,
nenhum outro capítulo da Bíblia demonstra isso de modo mais intenso. Veja,
adoradores não são feitos durante avivamentos; não são feitos em dias cheios de
sol, dias de vitória e de saúde; adoradores não são feitos quando se vê o
inimigo fugindo em debandada. A verdade é a seguinte: os adoradores de Deus são
feitos durante as noites negras de tempestades. E o modo pelo qual respondemos
às nossas tempestades determina exatamente que tipo de adoradores nós somos.
Hebreus 11 nos dá esta imagem de
Jacó em idade avançada: "Pela fé, Jacó, quando estava para morrer,
abençoou cada um dos filhos de José e, apoiado sobre a extremidade do seu
bordão, adorou" (Heb. 11:21). Por que Jacó é retratado dessa maneira nos
dias de sua morte?
Primeiro, precisamos notar que
Hebreus 11 é o capítulo conhecido como a "Galeria da Fé" da Bíblia.
Jacó é apenas uma das várias figuras listadas neste capítulo, como um exemplo
de fé que devemos emular nestes últimos dias. Cá está um homem que havia
atravessado tormenta após tormenta; ele e sua família viveram experiências
dramáticas a cada passo. O próprio Jacó enfrentou pessoalmente muitas dores,
sofrimentos e agonias em seus anos na terra. Agora Jacó sabia que sua vida estava para acabar. É por isso que o vemos dando sua bênção aos netos. E, o que Jacó faz ao rever os acontecimentos de sua vida? Ele é levado a adorar. Nenhuma palavra é proferida por esse homem. Mesmo assim, ao se apoiar sobre seu bordão, maravilhado pela vida que Deus lhe deu, ele "adorou" (11:21).
Jacó adorou a Deus naquele
momento porque a sua alma estava em descanso. Ele havia experimentado a
fidelidade de Deus acima de qualquer possibilidade de dúvida, durante o curso
de toda uma vida. Jacó provavelmente reviu na mente todas as vitórias que Deus
lhe havia concedido a cada vez. E agora o patriarca concluía: "Não
importava o tipo de guerra que eu estivesse enfrentando - em todas as tormentas
Deus se provou fiel a mim. Houve vezes em que achei que não agüentaria por
causa do pânico e do desespero; mas o Senhor me conduziu em cada uma das
situações. Ele sempre foi fiel. Ó Senhor, Deus-Todo-Poderoso, eu Te
adoro!".
Estou escrevendo essa mensagem
hoje para todo aquele que esteja enfrentando agora os piores momentos de sua
vida. É dirigida às pessoas que descreveriam a sua luta de hoje como sendo uma
noite negra e cheia de tempestades. Você está em meio a um período de provação
tremenda. Na verdade, o seu sofrimento é tamanho, que requer uma intervenção
milagrosa de Deus. Desejo lhe mostrar a partir das escrituras, que o Senhor quer que você caia dessa tempestade como um adorador. Ele lhe abriu um caminho em meio a essa noite de escuridão; e tem um plano para lhe retirar disso - para você se tornar um brilhante exemplo diante do mundo em relação à fidelidade que Ele tem para com o Seu povo.
O Senhor Colocou Israel Diante de Uma Situação
Impossível Por Duas Razões
As escrituras nos dizem que o
próprio Senhor orquestrou essa noite negra e tempestuosa para o Seu povo.
Primeiro, foi Deus que os guiou ao vale junto ao mar: "Disse o Senhor a
Moisés: Fala aos filhos de Israel...vos acampareis junto ao mar" (Êxodo
14:1-2). Também foi Deus que endureceu o coração do faraó contra Israel:
"Endurecerei o coração do Faraó, para que os persiga" (14:4). Por que
Deus faria isso?
Primeiro, o Senhor nos diz:
"Serei glorificado em Faraó e em todo o seu exército; e saberão os
egípcios que eu sou o Senhor" (14:4). Segundo, Deus queria que o Seu povo
entrasse no deserto que se aproximava - como adoradores. É por isso que lhes
era importante que emergissem do mar Vermelho agora com adoração no coração.
Deus queria não murmuradores e reclamações, mas verdadeiros louvadores.
Ele havia chamado Israel de herança - o povo que personificava o Seu eterno
propósito sobre a terra. Por isso, eles deveriam ser exemplos vivos de Sua
fidelidade para com um povo em suas maiores provações.
O cenário era o seguinte: Israel
estava agora acampado junto ao mar. O povo havia erigido suas tendas e estava
se alegrando na liberdade recém encontrada. Depois de quatrocentos anos de
cativeiro, Deus os havia tirado da fornalha férrea do Egito. E agora festejavam
ruidosamente ao provar o primeiro sabor da liberdade. Eles estavam cheios
daquela esperança que a liberdade traz, cantando e gritando: "Acabaram as
chibatadas, acabaram as perseguições. Finalmente estamos livres". Eles
também estavam entusiasmados pelas promessas que Deus lhes havia dado. Ele lhes
havia dito basicamente: "Há um novo dia à sua frente. Tenho uma terra
prometida um pouco adiante, esperando que vocês entrem nela".
Essa cena representa de modo
pungente o cristão libertado por Deus do seu pecado. O crente se rejubila na
liberdade que acabou de encontrar, liberto de todas as escravidões passadas. De
repente, ele está vivendo algo maravilhoso de salvação e libertação. E possui
um cântico santo no coração - pois está vivendo nas promessas de Deus.
Essa era a situação de Israel ao
acampar junto ao mar. O povo havia se conscientizado de que Deus estava
cumprindo todas as Suas palavras para com eles. Ele lhes havia escolhido para
serem Sua herança, e agora os estava trazendo de volta para Si mesmo. Eles
estavam prestes a se tornarem adoradores, cujo testemunho serviria como luz
brilhante ao mundo.
Contudo, na hora de sua maior
paz, o inimigo buscou devorá-los. Exatamente no ápice da liberdade de Israel,
na hora da esperança maior, o ataque veio. Os egípcios chegaram bramindo sobre
eles como leões, sob o comando do faraó. E era um exército demoníaco claramente
resolvido a levá-los de volta à escravidão: "Perseguiram-nos os egípcios,
todos os cavalos e carros do Faraó, e os seus cavalarianos, e o seu exército e
os alcançaram acampados junto ao mar" (14:9). A informação chegou súbita e inesperada: "Os egípcios estão chegando! O exército do faraó está vindo com toda a força sobre nós". Isso enviou ondas de choque sobre o acampamento. Os líderes de Israel escalaram as colinas mais próximas, de onde viram grandes nuvens de pó se levantando pela gigantesca marcha. Centenas de cavalos e cavaleiros se aproximavam, seguidas por legiões da infantaria. A terra tremia com o troar de 900 carros de ferro.
Que cena terrível. Ela tornou em
pedaços qualquer esperança no acampamento: "Os filhos de Israel levantaram
os olhos, e eis que os egípcios vinham atrás deles, e temeram muito"
(14:10).
Eu me pergunto: quantos cristãos
já experimentaram esse tipo de terror, bem no máximo da sua paz? A minha
família e eu certamente já o experimentamos. Lembro-me de um telefonema
tremendo uma noite, quando minha esposa disse: "O seu irmão morreu. Foi um
ataque do coração". Ou a ligação terrível sobre nossa preciosa netinha:
"Tiffany tem um tumor cerebral". Lembro-me dos telefonemas chocantes
recebidos por muitos membros de nossa igreja: "O caroço que você palpou é
maligno. Venha ao consultório médico já, por favor".
Esse foi o tipo de chamado súbito
e assustador que Israel recebeu. As escrituras citam a reação das pessoas:
"(elas) levantaram os olhos, e eis que os egípcios vinham atrás deles, e
temeram muito" (14:10). O povo de Deus concentrou a atenção na terrível
situação em que estavam. E o grito era: "Não há saída. Estamos
encurralados. Vamos morrer".
O que eles fizeram a seguir nos
diz tudo quanto ao status de Israel como adoradores: "Os filhos de Israel
clamaram ao Senhor" (14:10). Não se engane: não era clamor de adoração.
O clamor do povo era: "Por que o Senhor permitiu isso, Deus? Depois de
todos aqueles anos de escravidão o Senhor nos libertou; mas para quê? Pra
morrermos nas mãos do faraó? Depois de tanta dor e sofrimento, é aqui que vamos
acabar?... O Senhor nos encheu de promessas, nos libertou, nos deu grandes
promessas. Mas mesmo assim, quando obedecemos a Tua palavra, o Senhor deixa que
o inimigo caia sobre nós. Por que faz isso com a gente? Era melhor para nós no
tempo do Egito. Se for assim que tudo vai acabar, então não vale a pena Te
servir".
Você já se sentiu assim? Foi isso
que você disse naquela hora terrível? A amargura cresceu em você? Você
chorou, como Israel, "O quê fiz para merecer isso? Eu escolhi Te amar,
Deus; fiz o possível para seguir a Tua palavra, e Te servir. Por que está me
tratando assim? Só vejo mais dor à frente".
No Meio do Sofrimento, Deus Envia ao Seu Povo
Uma Mensagem de Três Pontos
Deus mandou Israel fazer três
coisas em meio ao sofrimento: "Não tema. Se aquiete. Veja a salvação do
Senhor". O Seu chamado a Israel foi: "Eu vou lutar por vocês.
Simplesmente mantenham a paz. Apenas se aquietem e ponham tudo em Minhas mãos.
Nesse momento estou realizando uma obra dentro da esfera espiritual; está tudo
sob o Meu controle. Então, não entrem em pânico. Confiem em que estou
combatendo o diabo. Essa batalha não é de vocês".
Logo vieram as trevas sobre o
acampamento. Era o início da negra e tempestuosa noite de Israel. Mas também
era o começo da obra sobrenatural de Deus. Ele enviou um tremendo e poderoso
anjo protetor para ficar entre o Seu povo e o inimigo. Eu creio que Deus ainda
envia anjos protetores para se acampar ao redor daqueles que O amam e temem (v.
Salmo 34:7).
Mas não foi só isso. O Senhor
também moveu a nuvem sobrenatural que havia dado a Israel para guiá-los. A
nuvem de repente se deslocou da frente do acampamento para a retaguarda - e
avultou como uma muralha negra como breu diante dos egípcios. O inimigo de
Israel não conseguia enxergar um palmo adiante de si: "A nuvem era
escuridade para aqueles" (Êx. 14:20).
Contudo, do outro lado, a nuvem
produzia luz sobrenatural, dando aos israelitas pura visibilidade a noite toda:
"Para este esclarecia a noite de maneira que, em toda a noite, este e
aqueles não puderam aproximar-se" (14:20).
Prezado santo, se você é um filho
de Deus, comprado pelo sangue, Ele colocou um anjo guerreiro entre você e o
diabo. E Ele lhe comanda dizendo, como a Israel: "Não fique com medo.
Tenha calma. Creia na Minha salvação". Satanás pode ir contra você
respirando todo tipo de malignidade - mas em nenhum momento, durante a sua
noite negra e turbulenta, o inimigo será capaz de uma única vez sequer, lhe
destruir.
Apesar de o exército do faraó
estar totalmente na escuridão, ele ainda podia elevar a voz. E a noite inteira
vomitou ameaças e mentiras ao povo de Deus: "Assim que terminar a noite,
será o fim de vocês, Israel. Amanhã - vocês estarão derrubados. Vocês serão
levados de volta à escravidão. E se tentarem resistir, nós os mataremos. O seu
Deus não pode salvar. Vocês podem muito bem desistir agora".
Você já ouviu essas vozes do
outro lado das trevas? O inimigo de sua alma já ficou golpeando seu ouvido a
noite toda com mentiras e ameaças? As tendas de Israel sacudiram com essas
mentiras por toda a noite escura. Mas não importava o volume de som com o qual
o inimigo os ameaçava. Um anjo estava a postos para protegê-los. E Deus havia
feito uma promessa ao Seu povo. Ele já lhes havia dito que o traria a salvo.
Eu Sei O Que É Ouvir Essas Vozes Ameaçando
Há pouco viajei para o leste
europeu, onde conduzimos trinta dias de conferências para ministros em vários
países. Ao chegarmos ao nosso último encontro em Budapest, na Hungria, eu
estava cansado. Assim que acabei de pregar aquela noite, o meu coração começou
a ter palpitações. Subitamente, comecei a suar. Entendi que não conseguiria
terminar de dirigir os trabalhos, e pedi ao meu filho Gary, para assumir.
Ao descer do púlpito, ouvi uma
voz buzinando no meu ouvido: "Você está morrendo, David. Você acabou de
pregar o último sermão. Antes do fim do dia, o seu coração dará a batida
final". Era uma voz vindo do outro lado da muralha negra. E estava cheia
de mentiras, para produzirem medo em mim.
Quando cheguei ao quarto do
hotel, eu simplesmente não conseguia repousar. A voz continuava lá, ameaçando.
Ela lembrava a mim outros ministros que eu conhecera, e que haviam morrido:
"Eu derrubei aquele pastor amigo seu. E acabei com aquele evangelista que
você conhece. Agora, o seu ministério também acabou".
Aquilo sim, foi uma noite escura
e de tormentas! As vozes do inferno vociferaram contra mim durantes horas.
Finalmente, me ajoelhei e invoquei a Deus: "Senhor, o quê está
acontecendo? Que tipo de coisa estou enfrentando? Me ajude - por favor". Então
o Espírito Santo me cochichou: "David, você está sob ataque. Tudo porque
você aborreceu o reino do diabo. Centenas de pastores foram renovados, e estão
novamente em chamas. Me agradei do seu trabalho. Mas Satanás foi provocado e
está zangado. Contudo, não tenha medo. Um poderoso anjo foi colocado entre você
e o inimigo. Você não corre perigo. Apenas se aquiete e descanse em Mim".
E então, no mês passado, eu vi
novamente como Satanás fala do outro lado da muralha negra. A maioria dos
leitores de minhas mensagens sabe que minha esposa Gwen sofreu várias operações
de câncer durante anos. Ela também tem só um rim, pois o outro teve de ser
removido. Toda vez que vamos a um novo médico, ele balança a cabeça
impressionado com a longa história clínica de Gwen, e sua milagrosa
sobrevivência.
Recentemente, Gwen enfrentou uma
infecção urinária. No consultório do urologista, o médico disse: "Estou
com medo de prescrever remédios nesse caso, pois poderiam prejudicar o rim
remanescente". Olhei para minha esposa, e vi lágrimas correndo dos olhos.
E pude ouvir a voz dentro de sua cabeça naquela hora: "O seu único rim vai
se complicar. É só uma questão de tempo até chegar outra infecção".
Não! eu lembrei a mim mesmo. Como
disse a Gwen mais tarde, "Querida, você tem um anjo entre você e o inimigo
mentiroso. Deus é o responsável pelos seus anos. Não importa que batalha
enfrente agora, Ele tem um plano para você. Você está no centro da vontade
dEle, e na palma de Suas mãos. E Ele tem todo o poder para cuidar de
você".
Por Que Deus Permitiu que Israel Enfrentasse Uma
Noite Inteira de
Escuridão e Tormentas Quando Poderia Ter Dito uma Simples Palavra e Acalmado os Elementos?
Escuridão e Tormentas Quando Poderia Ter Dito uma Simples Palavra e Acalmado os Elementos?
Durante aquela longa noite no
Egito, caiu um temporal. As escrituras dizem: "Moisés estendeu a mão sobre
o mar, e o Senhor, por um forte vento oriental que soprou toda aquela
noite..." (Êxodo 14:21). A palavra em hebraico para "vento" aqui
quer dizer: "emanação ou exalação violenta". Em outras palavras, Deus
exalou o Seu sopro a noite toda. As tendas de Israel devem ter tremido
intensamente com as poderosas torrentes sendo sopradas por todo o acampamento.
No momento em que escrevo isso,
estamos vendo poderosos vendavais nos terríveis incêndios da Califórnia. Todos
os dias, a mídia traz notícias de o quanto esses ventos imprevisíveis de Santa
Ana têm espalhado os focos de chamas. E estas tempestades de ventos têm durado
dias e até semanas. O prejuízo que têm produzido é incalculável.
Esse é o tipo de força que deve
ter soprado pelo acampamento de Israel. O vendaval que Deus produziu foi tão
poderoso, que começou a separar as ondas do mar: "Um forte vento
oriental...fez retirar o mar, que se tornou terra seca, e as águas foram
divididas" (14:21).
Que tempestade deve ter sido. E
como deve ter produzido temores em Israel. O vento terrível certamente piorou o
medo deles, que já ouviam o inimigo chamando do outro lado da muralha negra:
"Vocês já estão mortos. Se sobreviverem ao temporal, não sobreviverão a
nós. Acabou. Vocês e seus filhos não sairão dessa".
Eu lhe pergunto: o quê Deus tinha
em mente aqui? Por que permitiria um vendaval tão terrível a noite toda? Por
que Ele simplesmente não mandou Moisés tocar as águas com a manta, e separar as
ondas de modo sobrenatural, como aconteceria mais tarde com Elias e Eliseu?
Qual seria a possível razão de Deus permitir que uma noite terrível destas
ocorresse?
Há apenas uma única razão: o
Senhor estava fazendo adoradores. Deus estava agindo o tempo todo, usando a
terrível tempestade para formar um caminho visando tirar o Seu povo da crise.
Porém, os israelitas não conseguiam enxergar isso na hora. Muitos se escondiam
nas tendas, tremendo de medo e bravos com Deus. Mas os que saíram testemunharam
um glorioso show de luzes. Eles também contemplaram a gloriosa imagem de ondas
se acumulando, poderosas montanhas de água se elevando para formar um caminho
seco através do mar. Quando o povo viu isso, deve ter gritado, "Veja, Deus
usou o vento para abrir caminho para nós. Louvado seja o Senhor!".
Eu creio que a luz sobrenatural
produzida por aquela nuvem é um quadro da palavra de Deus. Nós podemos estar
nos escondendo em meio à uma noite escura e turbulenta, questionando Deus. Mas
Ele concede uma luz para que vejamos que Ele está abrindo um caminho diante de
nós. Na verdade, a própria tempestade que está nos amedrontando é o caminho de
Deus para formar um trajeto claro de libertação. E Ele usará este caminho para
nos tirar da tempestade. Mas para vermos isso, temos de chegar à luz da Sua
palavra, para nos maravilharmos diante dos Seus atos de libertação.
Foi Lá, em Terra Seca no Meio do Mar Vermelho, Que Deus Buscou Tornar o Seu Povo em Adoradores
Com a chegada da manhã, todo o
acampamento viu a maravilha que a tempestade havia produzido: águas poderosas
se acumulando alto de cada lado. E diante deles havia um caminho de terra seca,
atravessando reto o mar Vermelho. Agora o Senhor ordena que marchem por essa
rota seca, bem em meio ao mar.
Você pode pensar: "Não
precisava de muita fé para Israel obedecer. Afinal de contas, eles estavam em
terra seca". Mas imagine ver aquelas altas muralhas de água; devia haver
uma pressão do tipo foz do Iguaçu por trás delas. A pergunta agora era: as
paredes de água vão agüentar? O povo provavelmente ficou pensando:
"Senhor, Tu respondeste nossas preces até esse ponto; nos guiastes com
segurança até agora. Mas ainda há perigo à frente. O Senhor vai nos guardar?".
Nesse ponto, Deus queria que o
povo visse que Ele tinha um plano em mente o tempo todo. Primeiro, queria que
eles reconhecessem que Ele havia sido Deus para eles ao longo de todo o
caminho. Queria que soubessem que jamais iria falhar com eles, que Ele possuía
o mundo inteiro (incluindo seus inimigos) em Suas mãos todo-poderosas. Essas
pessoas já haviam experimentado de Suas bênçãos. Haviam visto Suas promessas
sendo cumpridas à cada uma das fases.
Agora aqui estava o maior teste
de todos. À frente deles estava o trajeto que os levaria à segurança. Nesse
momento crucial, Deus queria que o povo olhasse àquelas paredes e cresse que
Ele iria segurar as águas até que chegassem salvos ao outro lado.
Em termos simples: Deus queria
para o Seu povo uma fé que declarasse:
"Aquele que iniciou
esse milagre para nós o terminará. Ele já nos provou que é fiel... Olhando para
trás, vemos que todos os nossos temores eram infundados. Não devíamos ter tido
medo quando vimos os egípcios chegando; Deus pôs uma muralha sobrenatural de
trevas para nos proteger deles. E não deveríamos ter tido medo de suas ameaças
durante a noite; o tempo todo, Deus nos forneceu uma luz iluminadora, enquanto
nossos inimigos ficaram cegos com a escuridão. Nós também desperdiçamos temores
com aqueles ventos tenebrosos, estando Deus usando-os para abrir uma rota de
fuga para nós... Vemos agora que Deus deseja apenas nos fazer o bem. Temos
visto do Seu poder e glória em nosso favor. E agora estamos resolvidos a não
mais viver com medo. Não importa para nós se as muralhas de água desabem.
Vivamos ou morramos, somos do Senhor - e o tempo todo estamos nas Suas mãos.
Então, que cheguem ondas à vontade; tal como o nosso pai Abraão, aguardamos uma
cidade cujo arquiteto e edificador é Deus".
Havia uma razão pela qual Deus
queria esse tipo de fé para Israel àquela altura. Eles estavam prestes a
enfrentar uma jornada através do deserto. Suportariam privações, perigo e
sofrimento. Então disse: "Quero que o Meu povo saiba que lhes farei
unicamente o bem. Não quero que tenham medo de morrer toda vez que enfrentarem
o perigo. Quero pessoas que não tenham medo da morte, por saberem que sou digno
de confiança em todas as coisas".
Não haveria um instante em que
Deus deixaria aquelas muralhas de água caírem. E Ele queria a confiança das
pessoas agora, deste lado do mar. Desse jeito, quando chegassem salvos no outro
lado, seria no Seu repouso. Ele queria adoradores de verdade, pessoas que O
pudessem louvar o tempo todo, em qualquer situação.
Veja, um verdadeiro adorador não
é alguém que dança depois da vitória; não é a pessoa que canta os louvores de
Deus após o inimigo ter sido vencido. Isso foi o que os israelitas fizeram;
assim que chegaram ao outro lado, cantaram e dançaram, louvaram a Deus e
exaltaram Sua grandeza. Contudo, três dias depois, esse mesmo povo murmurava
amargamente contra o Senhor, em Mara. Não eram adoradores - mas vazios
fazedores de barulho. Mostram que não haviam descoberto a natureza amorosa do
Pai nas horas de dificuldade; não haviam tido alcance do amor do Pai
Todo-Poderoso em meio à tempestade.
O verdadeiro adorador é aquele
que aprendeu a confiar em Deus na tempestade. A adoração dessa pessoa não está
apenas em suas palavras, mas em seu modo de vida. A sua alma está em repouso em
todo tempo, pois sua confiança na fidelidade de Deus é inabalável; ela não está
com medo do futuro, porque não tem mais medo de morrer.
Gwen minha esposa, e eu vimos
essa fé inabalável em nossa netinha, Tiffany. Junto ao leito em seus dias
finais, observamos nela uma paz que excede todo o entendimento. Ela disse:
"Vovô, quero ir para o lar celestial. Eu vi Jesus, e Ele disse que quer
que eu esteja lá. Simplesmente não quero mais ficar aqui". A nossa Tiffany
de doze anos tinha perdido todo o medo da morte e da privação.
Esse é o repouso que Deus quer
para o Seu povo. É uma confiança que diz, como Paulo, e como Tiffany:
"Vivendo ou morrendo, sou do Senhor". É isso que faz um verdadeiro
adorador.
Oro para que todos os que leiam
essa mensagem possam dizer em meio à suas tempestades:
"Sim, a economia pode
desmoronar. Sim, eu ainda posso estar enfrentando uma noite tempestuosa e
negra. Mas Deus tem se provado fiel a mim. Não importa o quê aconteça,
descansarei em Seu amor por mim".
David
Wilkerson
World Challenge, P. O. Box 260, Lindale, TX 75771, USA.
Deus seja louvadoWorld Challenge, P. O. Box 260, Lindale, TX 75771, USA.
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